Síria reitera disposição ao diálogo e critica apoio a extremistas

O governo de Damasco crê que a guerra civil na Síria chegou a um impasse, e exigirá um cessar-fogo na Conferência internacional Genebra 2, na Suíça, quando houver acordo com os grupos de oposição, que têm recusado a oferta de diálogo. As declarações são do vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil, em entrevista desta quinta-feira (19) ao jornal britânico The Guardian.

Grupos armados na Síria - Reuters/Muzaffar Salman

À pergunta sobre o que o seu governo proporá na conferência ainda indefinida de Genebra 2, Jamil respondeu: “O fim da intervenção externa, um cessar-fogo e o início de um processo político pacífico de forma que o povo sírio possa disfrutar da autodeterminação sem intervenção externa e de maneira democrática”. O vice-premiê também ressaltou que seus comentários representam a postura do governo.

Estados Unidos e Rússia estiveram negociando o encontro entre o governo do presidente Bashar Al-Assad e dos representantes da oposição armada em outra Conferência de Genebra, após o fracasso da primeira rodada de conversações, em junho de 2012.

Apesar de o governo Assad ter reiterado a sua disposição ao diálogo político, a oposição no exterior, representada pela Coalizão Nacional das Forças da Revolução e da Oposição Síria (CNFROS), apoiada por diversos países do Ocidente e da vizinhança síria, continua exigindo a demissão de Assad como pré-condição, e recebendo o apoio estrangeiro.

Entretanto, a Rússia continuou conduzindo a questão rumo à diplomacia, com a proposta de um acordo, aceito pelo governo sírio, para a destruição do seu arsenal químico. O plano está sendo debatido pelo Conselho de Segurança, que discute uma resolução para estabelecer o procedimento e os prazos para o cumprimento do acordo, mas não mencionará o uso de força, afirmou o governo russo.

No Irã, que também tem rechaçado o discurso de agressão contra a Síria, o aiatolá Sadeq Amoli Lariyani, presidente do Poder Judiciário persa, disse que os EUA não lançaram uma intervenção militar contra a Síria devido ao poder da resistência na região e do próprio governo sírio.

Lariyani afirmou que as tentativas estadunidenses de romper a frente da resistência resultaram como más experiências na região, e por isso, agora, o país norte-americano viu-se obrigado a abandonar sua intenção de atacar a Síria. “Os EUA tentam executar uma ação militar contra a Síria sob o pretexto das armas químicas, enquanto eles próprios possuem o maior arsenal nuclear e químico do mundo”, declarou.

Apoio estrangeiro a extremistas

Além disso, a oposição generalizada à intervenção militar estadunidense também tem se evidenciado, tanto entre diversos países no mundo e na região quanto internamente, com manifestações de rua e de delegações políticas que rechaçam a agressão contra a Síria.

Até mesmo a emissora CNN transmitiu uma reportagem sobre a “preocupante” informação de que cerca de metade dos combatentes paramilitares na Síria, que lutam contra o governo de Assad, são islamitas extremistas.

Em matéria desta quarta-feira (18), feita de Beirute (capital libanesa), o correspondente informou que os EUA continuam fornecendo armas para alguns dos combatentes: acredita-se que cerca de 10.000 dos rebeldes são apoiadores radicais da rede Al-Qaeda e entre 100.000 estejam entre este grupo e os chamados seculares.

A matéria chega a reproduzir um vídeo de um evento organizado pelo grupo “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” para fazer a propaganda contra o governo, além de outro vídeo da Frente Al-Nusra, entregando ajuda humanitária também como forma de promover o grupo e a violência contra o governo.

Ambos são assumidamente ligados a Al-Qaeda. “Islamitas extremistas como estes estão usado a assistência para converter os moderados a suas visões extremistas”, diz a reportagem. Além disso, a organização Jane, que também conduz investigações em inteligência, citada pela emissora, estima que há cerca de 1.000 grupos armados atuando no país, nessas variações, inclusive formados por mercenários estrangeiros, e ao menos metade teriam tendências extremistas.

O governo de Assad vinha denunciando o apoio estrangeiro aos grupos extremistas frequentemente, com estatísticas inclusive sobre o número de mercenários (provenientes de 80 países, de acordo com Assad), mas o discurso oficial do Ocidente e de países da região, promovido pela mídia internacional (inclusive pela CNN), apenas legitimavam o que afirmavam ser um levante popular contra o governo repressivo.

A escalada da violência, ao invés de condenada, foi fomentada desde o exterior através do apoio político, financeiro e bélico, o que traduz a responsabilidade definitiva desses atores pela disseminação da violência na Síria.

Com agências,
Moara Crivelente, da redação do Vermelho