Curso em São Paulo aprofunda obra do filósofo Zygmunt Bauman
Quem está em São Paulo terá uma grande oportunidade para se aprofundar ou conhecer as ideias do pensador polonês Zygmunt Bauman, que faz uma leitura da sociedade contemporânea, chamada por ele de “Sociedade Líquido-Moderna”. O curso "O pensamento de Bauman" será dado no Espaço da Revista Cult, em Pinheiros, na capital paulista, com objetivo de compreender a obra deste intelectual como base para a reflexão sobre dilemas da contemporaneidade do ponto de vista estrutural e comportamental.
Publicado 19/03/2013 11:21

O filósofo polonês Zygmunt Bauman / foto: divulgação
Para o filósofo polonês, a fragilização dos sistemas de proteção social coletiva institucionalizados pelos Estados de Bem Estar Social deslocaram a responsabilização dos problemas sociais para o terreno individual. O mundo líquido-moderno se caracteriza, entre outras coisas, pela separação e iminente divórcio entre o poder e a política (no sentido de ação publica, na polis).
Uma das consequências disso é a fragmentação das coletividades humanas, com a formação de uma camada “superior” que vive conectada a uma comunidade global e livre de enraizamentos, em contraponto a uma comunidade de “refugiados” que sobrevive presa a redes locais, tendo afirmações localistas e, em geral, de base de afirmação étnica como seus únicos recursos.
Quem ministra o curso, que vai de 2 a 18 de abril, das 20h às 22h, é o professor Dennis de Oliveira, da Universidade de São Paulo (USP). O valor é de R$ 480 para um total de 12 horas. O local do curso é R. Inácio Pereira da Rocha, 400 – Pinheiros. Mais informações pelo telefone: 11 3032-2800. Inscrição aqui.
Programação:
Primeiro dia: Bauman e a releitura do “mal estar da civilização” de Freud
A obra clássica de Freud – O mal estar da civilização – aponta os dilemas da humanidade no período da modernidade, sintetizados no conflito entre o domínio da “liberdade” e o da “segurança”. Para Freud, a entrada no universo da cultura significa garantir a segurança da aceitação da coletividade via a repressão dos instintos (sacrifício da “liberdade”). Bauman aponta que a pós-modernidade resolve de outra forma este conflito ao privatizar e isolar o indivíduo, permitindo a expressão destes instintos em espaços não públicos.
Leituras indicadas:
FREUD, S. O mal estar da civilização. S. Paulo: Penguin, 2011
BAUMAN, Z. O mal estar da pós modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
Segundo dia: Bauman e a história da sexualidade de Foucault revisitada
Em A história da sexualidade, Michel Foucault demonstra como há uma transfiguração do domínio da sexualidade da mera repressão e controles rígidos para uma administração positiva do corpo e prazer, dentro dos seus princípios de que o biopoder não tem apenas um caráter repressivo/negativo mas também de produção. Bauman revisita este conceito de sexualidade em Foucault demonstrando que na pós modernidade os novos conceitos de temporalidade alteram as perspectivas humanas referentes a sexualidade.
Leituras indicadas:
FOUCAULT, M. A História da sexualidade – vol. I. Rio de Janeiro: Graal, 2010
BAUMAN, Z. O mal estar da pós modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
Terceiro dia: Bauman e os tempos líquidos modernos
A fragilização dos sistemas de proteção social coletiva institucionalizados pelos Estados de Bem Estar Social deslocaram a responsabilização dos problemas sociais para o terreno individual. Segundo o autor, o mundo líquido-moderno se caracteriza, entre outras coisas, pela separação e iminente divórcio entre o poder e a política (no sentido de ação publica, na polis). Como consequência disto,há uma fragmentação das coletividades humanas, com a formação de uma camada “superior” que vive conectada a uma comunidade global e livre de enraizamentos, em contraponto a uma comunidade de “refugiados” que sobrevive presa a redes locais, tendo afirmações localistas e, em geral, de base de afirmação étnica como seus únicos recursos.
Leitura indicada
BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003
Quarto dia: Bauman e as vidas para o consumo
A passagem de uma sociedade de produtores para uma sociedade de consumidores é analisado por Bauman em três perspectivas: uma nova forma de experimentar o tempo, a forma vivenciada de felicidade e afetividade e a relação de Estado e individualismo. Estas três perspectivas são imbicadas umas com as outras e fundamentam a sociedade de consumidores e a sua produção dos indivíduos líquido-modernos e as suas formas de relacionamento social.
Leitura indicada:
BAUMAN, Z. A vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008
Quinto dia: Bauman e o amor líquido – a fragilidade das relações humanas
Os processos sociais dos tempos líquido-modernos e o mal estar da pós modernidade fragilizam as relações humanas. Assim, o amor como categoria de relação humana se liquefaz na perspectiva temporal, como produto da fragilização da ideia de relação/contrato e a sua transfiguração em conexão/fugacidade. As novas angústias se centram na busca do prazer intenso e imediato em sacrifício da segurança contratual e mediatizada.
Leitura indicada:
BAUMAN, Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
Sexto dia: Projeção do filme TODAS AS CORES DO AMOR (Goldfish memory) de Elizabeth Gill (Irlanda, 2003)
Resenha do filme: Uma visão leve sobre os perigos e prazeres dos relacionamentos na Dublin contemporânea. Quando Clara (Fiona O'Shaughnessy) vê seu namorado Tom (Sean Campion) beijando Isolde (Fiona Gascott), desencadeia-se um série de reações de romances e corações partidos até que o ciclo inteiro se transforma num completo circo, cada personagem tentando resolver a questão do que é um relacionamento perfeito.
AULAS:
1 – Bauman e a releitura do “mal estar da civilização” de Freud
DATA: 02/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
2 – Bauman e a história da sexualidade de Foucault revisitada
DATA: 04/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
3 – Bauman e os tempos líquidos modernos
DATA: 09/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
4 – Bauman e as vidas para o consumo
DATA: 11/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
5 – Bauman e o amor líquido – a fragilidade das relações humanas
DATA: 16/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
6 – Projeção do filme TODAS AS CORES DO AMOR (Goldfish memory) de Elizabeth Gill (Irlanda, 2003)
DATA: 18/04/2013
HORÁRIO: das 20h às 22h
Bibliografia:
BAUMAN, Z. A vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008
BAUMAN, Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
BAUMAN, Z. O mal estar da pós modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
BAUMAN, Z. O mal estar da pós modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001
BAUMAN, Z. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003
FOUCAULT, M. A História da sexualidade – vol. I. Rio de Janeiro: Graal, 2010
FREUD, S. O mal estar da civilização. S. Paulo: Penguin, 2011
Observação: os alunos deverão ler as obras indicadas para cada dia antes das mesmas. Ao final do curso, cada aluno deverá entregar um texto produzido individualmente articulando e sintetizando as discussões de cada aula.
Fonte: Revista Cult