Desabamentos e mortes marcam o final de semana em Salvador
Basta chover ou ventar um pouco mais forte para as notícias de desabamentos e mortes se tornarem freqüentes em Salvador. No último final de semana, o desabamento de um casarão no Centro Histórico e de um prédio no bairro de Pernambués revelaram para o Brasil o estado de atenção em que vive os moradores de diversas áreas de cidade, onde é possível construir prédios ou invadir ruínas, sem nenhuma intervenção do Poder Público.
Publicado 19/07/2010 18:13 | Editado 04/03/2020 16:20
O resultado desta falta de regulação do uso do solo e de fiscalização das áreas de risco é sempre o mesmo: mortos e feridos. Foi o que aconteceu na madrugada de sábado, quando um casarão de quatro andares desabou na ladeira da Conceição da Praia, no Centro Antigo, matando uma pessoa e ferindo outras três. Uma das vítimas, um homem de 42 anos, precisou ter um dos braços amputados para ser resgatado após mais de 24 horas soterrados. O corpo da vítima fatal só foi retirado no início da tarde desta segunda-feira (19/7).
Já o desabamento ocorrido no bairro de Pernambués, periferia de Salvador, é uma grande prova do descaso da Prefeitura. Pois um prédio de sete andares, que, de acordo com a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom) não possuía alvará de construção, foi ao chão, e matou três pessoas, além de ferir duas crianças. “O que aconteceu em Pernambués foi um absurdo. A Sucom precisa fiscalizar melhor as obras existentes na cidade para que tragédias como estas não aconteçam”, ressaltou a vereadora Aladilce Souza (PCdoB).
Segundo a vereadora, a Comissão de Planejamento Urbano da Câmara deve visitar o local do desabamento em Pernambués, nesta terça-feira (20/7), para prestar solidariedade às famílias das vítimas, além de recolher informações sobre o que aconteceu para cobrar providências do Poder Público. “As últimas ocorrências reforçam a necessidade da Câmara manter uma cobrança constante em relação à atuação dos órgãos municipais. Vamos cobrar que a Sucom realize uma fiscalização mais ostensiva, principalmente na periferia, onde muita gente constrói sem observar as normas técnicas”, disse Aladilce.
A vereadora informou ainda que vai apresentar nos próximos dias um projeto para instituir a assistência técnica pública na área de engenharia, garantindo assim que a população de baixa renda possa construir suas casas com segurança.
De Salvador,
Eliane Costa