Eleição japonesa pode encerrar 54 anos de supremacia do PLD
Os políticos japoneses fizeram neste sábado seus últimos esforços para conquistar votos na eleição deste domingo (30), onde as pesquisas prevêem uma vitória da oposição. Taro Aso, o atual primeiro ministro, indagou no sábado: "É possível confiar nessa gente?" Ele pediu que o povo não vote no Partido democrático do Japão (PDJ), de centro-esquerda.
Publicado 29/08/2009 18:58
Aso é do Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o país praticamente sem interrupções desde 1955. No comício que realizou em Oyama, ele disse que, "se vocês se sentem desconfortáveis quanto a eles realmente governarem o país, isso é realmente um problema".
As pesquisas eleitorais feitas pelos maiores jornais japoneses prevêem uma folgada maioria para o PDJ: este deve passar para mais de 320 cadeiras num total de 480. É o que aponta uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Yomiuri Shimbun. O jornal atribui ao PLD apenas 100 cadeiras.
Yukio Hatoyama, líder do PDJ, concluiu sua campanha neste sábado na cidade de Sakai, no oeste do país. "Finalmente, a eleição é amanhã, a eleição que poderemos dizer à próxima geração que mudou a história do país", disse confiante o chefe do principal partido de oposição.
Nas últimas eleições para a Câmara Baixa do Japão, em dezembro de 2005, o PLD teve uma confortável vitória: com 38,2% dos votos, elegeu 296 deputados num total de 480 – 60 a mais do que tinha anteriormente. Seguiu-se o PDJ, com 31,0% mas apenas 113 cadeiras (uma queda de 113). O Partido Novo Komeito teve 13,3% e 31 cadeiras e o Partido Comunista Japonês, com 7,3% dos votos, elegeu nove deputados – desempenho que deve se repetir neste domingo segundo a pesquisa do Yomiuri Shimbun.
Já em 2007 as urnas favoreceram o PDJ, que passou a ter maioria na Câmara Alta, que no sistema japonês dispõe de poucos poderes. Desde que foi fundado, em 1955, o partido de Hatoyama só foi governo por 10 meses, mas dessa vez fez uma campanha de sucesso, usando o lema "A vida do povo vem em primeiro lugar".
"Todo mundo está profundamente frustrado com o partido no governo e desesperado por uma mudança. O voto no PDJ não é um referendo à sua plataforma, mas simplesmente um julgamento sobre a desesperadora situação atuasl", opinou para a TV Al Jazira Jeff Kingston, professor de estudos asiáticos na Universidade de Temple, Japão.
O país sofre a pior onda de desemprego desde a 2ª Guerra e uma paralisante deflação. Apesar disso, a economia voltou a crescer, modestos 0,9%, no segundo trimestre de 2009, depois permanecer três trimestres de recessão puxada pela crise global com centro nos Estados Unidos.
Da redação, com agências