UFMT aprova vagas para inclusão indígena em medicina e enfermagem

Buscando a implementação de políticas afirmativas, a Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, aprovou sobrevaga para estudantes indígenas nos cursos de medicina e enfermagem.

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) aprovou por unanimidade, na segunda-feira, 11/12, o programa de inclusao de estudantes indigenas em enfermagem e medicina. Os
cursos são ofertados no campus de Cuiabá. “É um momento histórico para a UFMT, dada a importância da decisão para Mato Grosso, com uma das maiores populações indígenas do país”, diz o vice-reitor Elias Alves de Andrade, que presidiu a sessão.

“A universidade vem amadurecendo uma reflexão bastante longa e significativa em relação à inclusão e, ontem, ainda que simbolicamente, começou pelos indígenas, excluídos do chamado processo civilizatório, trazidos para dois cursos de alta demanda na área de saúde, em um dos estados com maior população indígena”, avaliou o reitor Paulo Speller.

Conforme dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), são 25.123
índios em 42 grupos. De acordo com a pró-reitora de Ensino de Graduação, Matilde Crudo, trata-se de um Programa de Inclusão Indígena, que propõe a criação de três sobrevagas em enfermagem e três em medicina, que serão preenchidas exclusivamente por estudantes indígenas, indicados por sua comunidade e pela Funai,
selecionados e aprovados por meio de processo seletivo específico.

Esses alunos receberão bolsa da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a partir de 2007 até a conclusão de seus cursos na UFMT. O convênio para concessão das bolsas aos estudantes indígenas exige o compromisso de que retornem às suas comunidades. Exige também, da Universidade, a manutenção de um Programa de Acompanhamento diferenciado aos estudantes indígenas, garantindo assim qualidade na formação e sucesso na conclusão de seus cursos.

“A gente entra na composição da comissão de acompanhamento, mas já tem um grupo de professores que já trabalha com cultura, interessado em criar um grupo de acompanhamento dentro da
Faculdade”, diz a professora Nelci Cunha dos Santos, coordenadora do curso de Enfermagem.

“Embora tenha sido uma proposta que chegou de demanda externa – veio da Funasa – consideramos importante atender porque já há muito se discute na universidade o acesso da população indígena. O Colegiado considerou esta uma grande oportunidade”, completa. Nelci Santos destaca que a estrutura pensada pela Funasa prevê suporte para o aluno por meio de bolsas, o que certamente vai ajudá-lo na manutenção.

O diretor da Faculdade de Ciência Médicas (FCM), Domingos Tabajara de Oliveira Martins observa que o curso de Medicina da UFMT, avaliado com conceito A, é o primeiro a oferecer vagas à população indígena. “A posição do diretor foi favorável, ad referendum”, diz. Ele considera o tema polêmico e apesar de entender que não resolve a exclusão social – essa é uma questão que levará anos – a medida vai além das vagas, pois está incluída em uma proposta de política afirmativa, argumenta.

A proposta vinha sendo discutida na UFMT desde setembro, junto aos
colegiados de cursos de Enfermagem e de Medicina, junto ao Fórum de Coordenadores de Ensino de Graduação, junto ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e a uma comissão provisória constituída pela Proeg, Pró-Reitoria de Vivência Acadêmica e Social (Provivas) e professores dos departamentos de Antropologia, Enfermagem, Medicina, do Instituto de Educação, do Instituto de Saúde Coletiva, além de representantes da educação indígena da Secretaria de estado de Educação (Seduc), da Funai e da Funasa.

A proposta aprovada prevê a elaboração de um programa de capacitação docente com garantia de recursos financeiros para seu custeio; de programa de nivelamento para os alunos, ao longo do curso, segundo as necessidades levantadas e disponibilização de, pelo menos, um monitor para cada período letivo; de, pelo menos, uma vaga de professor, preferencialmente efetivo e com formação específica na area de saúde indigena e de, pelo menos, três vagas no curso de Especialização em Saúde Indígena a ser oferecido pelo Instituto de Saúde Coletiva.