O fenômeno Janete 

O conceituado jornalista e poeta Antônio Peres Pacheco, através de um artigo desvenda a “paixonite” pela Janete que vem acometendo eleitores de todas as idades, de todas as classes sociais em todos os municípios de Mato G


As pesquisas eleitorais detectaram nas últimas semanas o surgimento de um fenômeno eleitoral em Mato Grosso, o vertiginoso crescimento da candidatura de Janete Oliveira de Carvalho Dantas. Mas, afinal, quem é Janete? Essa pergunta pula de boca em boca nos bastidores políticos de Mato Grosso desde que, há cerca de 15 dias, uma pesquisa eleitoral indicou que Janete, candidata ao Senado pelo PCdoB, já tinha amealhado mais de 5% das intenções de voto, com tendência à elevação nas semanas seguintes. Um percentual que representava então nada menos que 97 mil eleitores conquistados já na primeira semana da propaganda eleitoral gratuita.




Não conheço pessoalmente a Janete. O que sei dela me chegou através de amigos ligados ao PCdoB, como o Kleber Lima, jornalista e consultor político, e de um panfletinho que recebi num semáforo.




Sei que ela é professora universitária. É goiana, como eu, e, portanto, “pau-rodado” que criou raízes
em Mato Grosso e fez desse Estado a sua terra natal adotiva e de coração. Sei também que ela é militante “histórica” do PCdoB, partido ao qual é filiada desde a adolescência. Também fiquei sabendo que ela fala baixinho (como, aliás, a gente pode perceber na televisão em seu programa eleitoral), mas que é uma verdadeira leoa na defesa de suas teses, na luta pelos seus ideais. Ah, ela também é uma estudiosa aplicada, é casada, mora em Rondonópolis, e tem como patrimônio um Fiat uno 94 (financiado e ainda não quitado) e uma casa simples, além de uma carta de crédito do Governo do Estado no valor de três mil reais.




Como se vê, não é muita coisa o que sei sobre essa Janete, candidata ao Senado da República por Mato Grosso e que começa a tirar o sono de gente graúda, e manteúda, da política mato-grossense.




Mas, o que importa mesmo não é o tanto que eu sei sobre a Janete, mas o que tem feito os eleitores aderirem à sua candidatura ao Senado. Eu tenho uma tese sobre essa “paixonite” pela Janete que vem acometendo eleitores de todas as idades, de todas as classes sociais em todos os municípios de Mato Grosso.




A ascensão da candidatura da Janete ao Senado da República é resultado de dois fatores: a carência político-afetiva que assola os eleitores convictos de centro-esquerda depois que o PT se viu afundar no mar de lama subterrâneo criado por José Dirceu et caterva, e pela super-oferta de candidatos insossos e com cheiro de naftalina que inunda a praça.




Com seu jeito de moça simples, bem-educada, seus tailleurs cor de rosa e com sua voz mansa e musical, Janete surge no vídeo como um doce acalanto para os desesperançados da política mundana, corrupta e cínica. Falando apenas em fazer o que é certo com uma expressão cândida, ingênua até, ninguém duvida que Janete possa ser uma boa senadora. Ou pelo menos, melhor que qualquer um de seus principais adversários na disputa, todos ou quase todos, manjadíssimas raposas da política.




E ela ainda tem um programa eleitoral diferente dos outros! Um programinha curtinho, que não enjoa ninguém com aquele matraquear repetitivo que os marqueteiros vindos de fora, cobrando seu a peso de ouro, julgam “infalível” no convencimento do eleitorado, mas que na verdade, só enche a paciência e faz os candidatos parecerem pedantes, exibidos e falsos.




Eu não tenho dúvida: a Janete tem o melhor programa eleitoral desta eleição. Mérito para o Miranda Muniz, o faz-tudo do PCdoB de Mato Grosso, que segundo me disseram, cria os roteiros, grava e ainda edita ele mesmo o programa da Janete. Isso tudo sem ser marqueteiro, publicitário ou qualquer coisa que o valha.




A Janete pode não ter tempo de virar o jogo a seu favor e ganhar a eleição pro Senado. Mas, desde já ela já é uma vencedora. Derrotou a indiferença dos eleitores e ganhou uma legião de admiradores que lhe darão seus votos por acreditarem que, apesar da impressão geral, ainda há gente decente fazendo política no Brasil.




Por Antonio Peres Pacheco,
jornalista, poeta e escritor.
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